Um estudo realizado pelos geógrafos Emily Kadidja de Medeiros e Leandro Vieira Cavalcante, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, campus Caicó, revelou que o acesso à água no Semiárido Brasileiro constitui um desafio histórico marcado por desigualdades sociais, políticas e territoriais que extrapolam as limitações climáticas. Nesse contexto, salientam os autores, as obras hídricas, especialmente as barragens, assumem um papel central na organização do território e no enfrentamento da irregularidade hídrica.
Todavia, o estudo conclui que, embora, as barragens sejam estratégicas para o sistema hídrico regional, sua gestão e distribuição dos usos da água reproduzem desigualdades históricas, privilegiando setores produtivos em detrimento do abastecimento das populações rurais.
No Seridó Potiguar, por exemplo, uma região marcada por longos períodos de estiagem, tais obras desempenham papel estratégico no abastecimento humano, na dessedentação animal e no suporte às atividades produtivas. É nesse cenário que se insere a Barragem Passagem das Traíras, localizada entre os municípios de São José do Seridó e Jardim do Seridó, inaugurada em 1994 com capacidade de 48 milhões de m³ de água.
A Barragem Passagem das Traíras tornou-se um exemplo emblemático das promessas e contradições que marcam a chamada “indústria da seca”, ao mesmo tempo em que ilustra uma infraestrutura essencial que, com o tempo, passou a apresentar vulnerabilidades, ressaltam os pesquisadores.