O índice de adultos com obesidade atendidos pelo Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Norte cresceu 200,8% entre 2019 e 2025, passando de 71.560 para 215.282 potiguares com a condição, dentro do recorte analisado. Em termos percentuais, 31,3% da população adulta atendida na rede pública do Estado (228.503 pacientes) estava obesa em 2019, contra 40,4% no ano passado (quando foram atendidos 532.102 adultos no SUS do RN), um aumento de 9,3 pontos percentuais. Os dados estão disponíveis no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do Ministério da Saúde.
No Brasil, o índice de obesidade na população em geral dobrou em 18 anos, saindo de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Igor Marreiros, que é cirurgião bariátrico no Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), em Natal, explica que as causas para o aumento registrado no RN e no País são multifatoriais e estão relacionadas a fatores como hábitos alimentares (20,9% dos natalenses ouvidos pelo Vigitel consumiram cinco ou mais alimentos ultraprocessados no dia anterior à entrevista), rotinas de trabalho e questões genéticas.
O médico chama atenção para o fato de que, no caso dos dados do Sisvan, as informações são uma amostra que representa a população mais vulnerável economicamente. Ele observa que a obesidade é uma condição que provoca diversas doenças como diabetes e hipertensão, as quais, consequentemente, levarão a problemas cardiovasculares e renais, insuficiência cardíaca e outros. “Isso acaba se transformando em um grande problema de saúde pública”, diz o médico.
Ele esclarece que existem grupos mais suscetíveis à obesidade, como aqueles ligados ao fator idade, uma vez que, com o envelhecimento do organismo, o metabolismo cai, gerando um aumento natural de gordura corporal. Mas este não é o principal grupo afetado, na avaliação do especialista. “As populações de menor renda são as mais suscetíveis porque, quanto menor a capacidade socioeconômica, maior a chance de optar pelo sedentarismo e de escolher alimentos de menor qualidade”, frisa Marreiros.